Carta nº. 76 do Florilégio Epistolar, de Louis Cattiaux[1]
Seleção de Emmanuel d’Hooghvorst
Tradução do francês: António B. de Almeida
Você tem razão em não se deixar desviar pela interpretação mística das verdades herméticas. Você descobrirá cada vez mais — e com cada vez mais espanto — que os verdadeiros hermetistas são os únicos materialistas dignos desse nome. Pois os piores materialistas deste mundo parecem idealistas desencarnados ao lado deles. É tão espantoso o mistério de Deus encarnado que muito poucos podem acessá-lo sem risco de morte. Pode-se dizer que um hermetista é o oposto absoluto de um sonhador, pois um sonha com Deus e o outro O toca!
Há uma guarda extraordinária em torno dos mistérios da realidade; no entanto, o caminho místico deve acompanhar o caminho hermético para que a unidade seja realizada em nós.
Quase todos aqueles que conheço se desviam na interpretação mística; outros se afundam na crisopeia; muito poucos sabem unir[2] esses pontos de vista opostos.
Em resumo, o caminho místico e o caminho hermético se complementam, mas não se misturam; no entanto, o ensinamento místico e o ensinamento hermético estão sempre misturados nos grandes textos dos sábios, pois caminham lado a lado.
[1] Éditions Beya, Grez-Doiceau, Bélgica 2006
[2] Cf. “A Mensagem Redescoberta”, XIII, 44’, em L. Cattiaux, op. cit