Emmanuel d’Hooghvorst
Tradução do espanhol: Regina de Carvalho
Não está escrito no Evangelho segundo São Lucas?: «E tu, pequeno, serás chamado profeta do Altíssimo, pois caminharás diante da sua face para preparar as suas vias, para dar ao seu povo a gnose de salvação». (1, 77)
E em 11, 52: «Ai de vós escribas!, pois tomastes a chave da gnose; não entrastes e, aos que queriam entrar, vós o impedistes».
Esta palavra se encontra dezoito vezes em São Paulo e três vezes em São Pedro, do qual citamos a recomendação seguinte (II Pedro 3, 18):
«Crescei na caridade e na gnose de nosso Senhor e Salvador».
Deveria-se reescrever o Evangelho daquele que disse (Mateus 11,30): «Meu jugo é suave e meu peso leve»? Deveria-se, pois, reescrever o Evangelho para adaptá-lo ao gosto dos tempos?
Confunde-se, muitas vezes, a gnose com as doutrinas das seitas gnósticas que se desenvolveram no século II, as quais foram condenadas e excluídas pela Grande Igreja, e que, além disso, não conhecemos bem. Certamente, a gnose se confunde com a cabala e o hermetismo. São palavras diferentes para explicar uma só experiência condenada por aqueles que não a possuem. No entanto, negar este dom do céu, não seria excluir-se dele?