Emmanuel d’Hooghvorst
Tradução do espanhol: Fabio Malavoglia
O ouro é o ouro vulgar. Um ouro que não é bom para nada, a menos que não seja regenerado por seu mercúrio. Então torna-se um ouro vivo. O mercúrio, no fundo, é a medicina do ouro. O ouro tem algo de doentio. Este é bem o ouro vulgar. Na natureza é o que há de mais perfeito. A partir dele, há uma maneira, aperfeiçoando-o, de fazer o medicamento.
O ouro nós o temos, facilmente; o que nós não possuímos é o mercúrio.
O ouro é fabricado pela natureza, é o ponto de partida. Se nós tivéssemos de absorvê-lo tal como ele é, seríamos envenenados, e entretanto este mesmo ouro contém a medicina. Ele deve, portanto, ser tornado potável para poder ser absorvido. Para isso é necessário conjugá-lo com seu mercúrio.
É esta a química, porque a palavra química quer dizer fusão. Eis as núpcias quymicas. Feita a conjunção, não resta mais que cozer.
O ouro é o fermento e o mercúrio é a massa, seu caldo, seu meio vivente. O mercúrio, dizem, é seu próprio suor. Assim, se nós conseguíssemos fazer o ouro suar e banhá-lo em seu próprio suor, nós obteríamos o segundo mercúrio.
O ouro possui em si mesmo uma certa umidade, uma certa proporção de mercúrio.