Sobre as duas orações triangulares do princípio de «A Mensagem Reencontrada»
Charles d’Hooghvorst
Tradução do espanhol: Regina de Carvalho
Tudo deve começar com a abertura do livro. É a entrada obrigatória. «A sua graça descendente e o seu amor ascendente». (MR, XXXIII, 17’) Sem eles, não há compreensão possível dos livros santos.
Uma é «a santa Mãe, leve como o ar e cambiante como a água», o outro é «o Pai sagrado, pesado como a terra e imutável como o fogo. A união dos quatro engendra o triplo Filho, que manifesta a criação prodigiosa do Único». (MR VIII, 38)
Esta corrente descendente e ascendente é como a escada ou a corrente de ouro que une o céu e a terra. Quando o triângulo do fogo e o da água se unem, formam a estrela de seis pontas. Aquele a quem, como a Jacó, é dado contemplá-la, já não precisa de livros nem de instrutor, visto que a parusia, que significa «presença», o habita, e é Ela quem o guia e o instrui.
«Assinalamos como incompletos todos os comentários das palavras inscritas no Livro, pois os reflexos da coisa não são a própria coisa.» (MR, XXIV, 46’)
De fato, este livro não requer comentários, pois todo aquele que se dedicar a meditá-lo perceberá, pouco a pouco, que os versículos se explicam e se esclarecem uns aos outros. Nossas explicações são forçosamente incompletas e imperfeitas, visto que só poderá comentar validamente a obra aquele que viveu a mesma experiência possessiva que seu autor.
Não se trata aqui de palavras nem de especulações inteligentes, mas antes da inteligência do coração e, em última análise, de «conhecimento», em seu sentido etimológico, ou seja, de «nascer por meio de» (cum nascor).
«Cada qual refaz a sua pequena experiência de cego e cada um propõe o seu pequeno sistema de agonizante, sem perceber a imensidão da criação de Deus e sem suspeitar a presença da doutrina unitiva dos mestres. / Não quebremos a cabeça com o Livro, quebremos antes o coração, para que a nossa alma preciosa germine e frutifique diante de Deus no segredo do começo e do fim de todas as coisas.» (MR XVII, 53-53’)
